ESTILO ALIMENTAR PALEO

O que é o Estilo Alimentar Paleo?

Também conhecida como “primal” – termo criado por Mark Sisson*, a Paleo consiste num conjunto de práticas que tem como base seguir um comportamento semelhante ao do homem da idade da pedra.

Nos tempos primitivos, numa época conhecida como “Era Paleolítica” – ou Idade da Pedra, a civilização era “caçadora-coletora”, ou seja, a sobrevivência era calcada na caça, pesca e extrativismo rudimentar. Além da questão alimentar, o ser humano vivia em movimento, exposto ao sol diariamente (produção de vitamina D).

Trata-se de um período que antecede a evolução dos processos industriais que passaram a interferir no comportamento da humanidade. O sedentarismo, a falta de vitamina D (decorrente da baixa exposição ao sol) e o contato com novos alimentos que ativou genes de doenças.

Nosso organismo – desde os primórdios – não mudou. O que houve é uma “obscena” oferta de produtos alimentícios industrializados, os embutidos, as carnes cheias de hormônios de crescimento, corantes, anilantes, e outras substâncias nocivas.

Então, a modalidade paleolítica propõem o que existe de mais saudável e equilibrado para o ser humano: eliminar os “venenos” da alimentação moderna ocidental, que são grandes causadores de doenças diversas.

Mais do que se inspirar na alimentação do homem primitivo, trata-se de se espelhar nos aspectos ligados ao comportamento deste hominídeo das cavernas como forma de alcançar qualidade de vida e saúde.

É isto que Mark Sisson nos trouxe como base de seus estudos do homem primitivo. Ele esclarece que os alimentos que nossos antepassados comiam, a quantidade de sol que eles absorviam e a prática de atividades (no caso movimentação) que estabeleceram para sobreviver moldaram seu genoma. Sisson diz: “enquanto o mundo mudou de inúmeras formas nos últimos 10 mil anos (para melhor e pior), o genoma humano mudou muito pouco e, portanto, só prospera em condições semelhantes” (a do homem primitivo).

* autor do livro The Primal Blueprint e do blog Mark’s Daily Apple.

Como é formada a base alimentar do Estilo Paleo?

Nos tempos primitivos, a época conhecida como “Era Paleolítica” era cercada de hábitos extremamente rústicos. A sobrevivência era calcada sobre caça, pesca e extrativismo rudimentar. Pode parecer um tanto “bárbaro”, porém era saudável, pois tinha como base carnes in natura, frutas, raízes e vegetais. Assim, em termos percentuais, podemos pensar da seguinte maneira a alimentação no Estilo Paleo: 40% hortaliças, 30% de carnes, peixes e frutos do mar, 20% de frutas e tubérculos e 10% de oleaginosas.

 

O Estilo Paleo emagrece?

“Cabe ressaltar que a Paleo nada tem a ver com perder peso, este nem de longe é seu objetivo, mas sim, uma consequência de um conjunto de atitudes transformadoras que equilibram corpo e mente! Por exemplo, por ser preciso “correr atrás” da sua subsistência, o homem era extremamente ativo, praticante de atividades físicas (trazendo para os tempos modernos). Então, o Estilo Paleo nos ensina (e estimula) a nos exercitarmos!”, diz Dr. Barakat.

E quais são os benefícios do Estilo Paleo?

Um organismo que se alimenta deste tipo de nutrição está em constante oxidação de gordura, por ser sua única fonte de energia, portanto além da condição menos propenso a doenças, haverá disposição ao longo do dia todo, sem as queixas de sonolência e fadiga causadas pelo excesso da ingestão de carboidratos e hiperinsulinemia (excessos de insulina).
Já a alimentação baseada nos refinados, processados e alto consumo de carboidratos, pode contribuir para a acidificação do organismo e com o aparecimento de doenças crônicas, como as auto-imunes. O pH natural do ser humano está em torno do 7.4 – levemente alcalino. Com o consumo elevado de produtos de pH elevado, o ser humano atinge 4.5 a 5.0 – o que equivale ao índice de um indivíduo com câncer, por exemplo.
Um exemplo de órgão que passou a trabalhar mais com a evolução dos produtos industrializados é o pâncreas – que por milênios viveu descansando, adormecido em seus baixos índices de insulina. Agora, aproximadamente há cinco décadas, este órgão vem sendo exaurido por um comportamento alimentar nocivo. Quando estamos com o nível alto de insulina, isso acaba se tornando um ciclo vicioso. A insulina alta estimula a fome, o que nos faz comer mais e, assim, acumular gordura na circunferência abdominal.
O indivíduo com insulina alta não consegue mais manter níveis baixos de glicose, por ter possivelmente desenvolvido resistência insulínica e, se não mudar seu comportamento, estará caminhando para o diabetes tipo 2. Reflexo de um estilo de vida sedentário e com baixo valor nutricional.
Além disso, estudo recente (2017) demonstrou que uma dieta paleolítica melhora a massa gorda e o equilíbrio metabólico, incluindo sensibilidade à insulina, controle glicêmico e leptina em indivíduos com diabetes tipo 2. Há indicativos de redução do risco cardiovascular nestes pacientes. A alimentação Paleo contribuiu ainda para a manutenção do colesterol LDL, redução dos níveis de triglicérides, e auxilia a reduzir a pressão arterial.

Como seguir o Estilo Paleo?

“É preciso entender que a predisposição genética não significa que seu destino esteja selado. Ou seja, é possível reprogramar os genes. O que você come, a prática de exercícios, dormir com qualidade, gerenciamento do estresse, interação com o meio externo são fatores que determinam como seus genes se expressam e, consequentemente, seu nível de saúde” afirma Dr. Barakat.
Determinados produtos ultraprocessados que passamos a ingerir contribuíram para acionar gatilhos para obesidade, diabetes, comprometer o sistema imunológico e desencadear processos inflamatórios, bem como doenças autoimunes, demências, câncer entre outros agravos.
É fato que nesta altura não teremos acesso a uma comida igual à do homem das cavernas. Mas, não se trata disso. E sim, de inspirar-se no modelo alimentar que consiste numa diversidade baseada na oferta conforme a geografia (local em que se reside) e oportunidades de acesso ao alimento conforme a época do ano. Que exclui produtos ultraprocessados..

O que chamamos de “Estilo Paleolítico”, tem como base o consumo de produtos orgânicos, naturais. A recomendação da nutrição paleolítica é excluir grãos, laticínios e produtos oriundos da indústria. No Estilo Paleo recomenda-se também que as carnes sejam assadas em fornos em até 220 graus centígrados, no máximo.

 

Para saber mais sobre o Estilo Alimentar Paleolítico, acesse aqui.

 


Referências

Cordain L, S Eaton B, Sebastian A, Mann N, Lindeberg S, Watkins BA, O’Keefe JA, and Brand-Miller J. Origins and evolution of the Western diet: health implications for the 21st century. Am J Clin Nutr Fevereiro 2005. vol. 81 n. 2 341-354. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/81/2/341.full#sec-20
Domínguez-Rodrigo M, Pickering TR, Diez-Martín F, Mabulla A, Musiba C, Trancho G, et al. (2012) Earliest Porotic Hyperostosis on a 1.5-Million-Year-Old Hominin, Olduvai Gorge, Tanzania. PLoS ONE 7(10): e46414. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0046414
[Micha R, Wallace SK, Mozaffarian D. Red and processed meat consumption and risk of incident coronary heart disease, stroke, and diabetes: A systematic review and meta-analysis. Circulation. 2010;121(21):2271-2283. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.109.924977.
Paleolithic nutrition for metabolic syndrome: systematic review and meta-analysis
Am J Clin Nutr 2015 102: 922-932. Disponível emajcn.nutrition.org/cgi/content/full/102/4/922
Eaton SB 1, Eaton SB 3ª . Paleolithic vs. modern diets–selected pathophysiological implications.Eur J Nutr. 2000 Abr; 39 (2): 67-70.